Biodiversidade na Agricultura

A agricultura industrializada é considerada uma das maiores ameaças à conservação da biodiversidade. A informação mais detalhada que existe trata do declínio da diversidade e abundância de aves ao longo da industrialização agrícola. A agricultura industrializada reduz a diversidade da paisagem, pois para que a aquisição de máquinas seja rentável e o cultivo mais “eficiente” em termos económicos, aumentou-se progressivamente as áreas homogéneas, em que apenas um cultivar é produzido (monoculturas extensas). A maioria dos animais precisam de habitats diversos para satisfazer as suas diferentes necessidades vitais (esconderijos, áreas para alimentação, etc). A agricultura industrializada reduz a diversidade de habitats, leva à degradação da sua qualidade e à sua fragmentação.

O que é a agrobiodiversidade?
A agrobiodiversidade é a diversidade de plantas e animais existentes numa exploração ou numa região. Note-se ainda que a produção de cada variedade necessita de estar associada a um conhecimento da planta ou do animal, das condições que necessita, de técnicas associadas à sua produção e de usos que pode ter. Este conhecimento é essencial para a preservação da agrobiodiversidade e por isso, por vezes, é incluido na definição de agrobiodiversidade. Na Inglaterra uma raça de cavalos, o Suffolk Punch, estava associado ao conhecimento de plantas selvagens que serviam para tratar doenças destes animais. Com a diminuição do uso destes cavalos, os conhecimentos sobre os usos das plantas selvagens também se perderam e a manutenção de cavalos saudáveis tornou-se mais difícil.

As variedades altamente produtivas foram substituindo as variedades tradicionais e localmente adaptadas. Desde o início do século XX, aproximadamente 75% da diversidade genética de cultivares de todo o mundo foi extinta.

Até um período relativamente recente, o único método de selecção de culturas empregue era a recolha de sementes dos indivíduos de uma população, que possuíam uma ou mais características desejáveis – como o potencial de elevado rendimento ou resistência a doenças – e a sua multiplicação na próxima sementeira. Este método de selecção artificial, utilizado há milhares de anos em todo o mundo, permitiu o desenvolvimento de variedades locais, adaptadas às condições de cada região.

Este método antigo e tradicional de selecção, apesar de relativamente lento e de resultados variáveis, tem a vantagem de ser semelhante à selecção natural, pois, tal como esta, ocorre nos ecossistemas naturais. Características envolvendo adaptação às condições locais são retidas juntamente com outros aspectos mais directamente desejáveis de rendimento e desempenho, mantendo-se também a variabilidade genética.

Desta forma, as variedades locais vão de encontro a um dos princípios básicos da agroecologia: o desenvolvimento de plantas adaptadas às condições locais da região, tolerância às variações ambientais e ao ataque de organismos prejudiciais. Evitam assim o uso de fertilizantes químicos, pesticidas, herbicidas e outros produtos prejudiciais para o ambiente e para a saúde humana. Outro aspecto importante consiste na maior autonomia do agricultor, que pode recolher as suas sementes e voltar a semeá-las no ano seguinte, sendo independente das grandes companhias de sementes e permitindo o contínuo melhoramento das espécies.

Porque se estão a perder as variedades locais?
Como recentemente o objectivo dominante da agricultura se tornou produzir cada vez mais, empresas especializadas começaram a desenvolver variedades altamente produtivas. Nas novas variedades as prioridades para a sua selecção já não são as mesmas que antes da tranformação industrial da agricultura. Agora é importante que as plantas e os animais produzam muito em pouco tempo, que amadurecam ao mesmo tempo para facilitar a colheita mecanizada e que resistam ao transporte à volta ao mundo, que é tão vulgar hoje em dia para uma humilde batata.

As variedades híbridas têm geralmente maior produtividade que as tradicionais, mas apenas se se utilizarem fertilizantes químicos e pesticidas. Além disso, as variedades híbridas crescem numa maior diversidade de climas, enquanto que as tradicionais crescem melhor nas condições locais às quais estão adaptadas. Consequentemente, as vendas das variedades híbridas são a uma escala superior, o que interessa às empresas de produção de sementes. Por fim, as sementes que as plantas híbridas vão produzir já não dão origem a uma planta igual à da semente inicial, obrigando os agricultores a comprar todos os anos sementes novas.

Um outro factor que hoje trabalha contra a manutenção de variedades locais é que só as sementes de variedades altamente homogéneas, registadas no Catálogo Nacional de Variedades podem ser comercializadas. Esta medida oficialmente serve para proteger o consumidor que assim tem garantias de que, ao comprar sementes, obtêm realmente a variedade descrita pelo comerciante. No entanto, o processo de inscrição de uma variedade no Catálogo Nacional de Variedades é moroso e caro, pelo que só variedades com elevado interesse comercial são inscritas.

Conservação dos recursos naturais
Poucas coisas devem ser tão importantes para o mundo civilizado como a conservação dos recursos naturais. Na verdade, se o extraordinário impacto de uma tecnologia verdadeiramente poderosa proporciona aos homens instrumentos novos de domínio sobre a natureza; se os imperativos de ordem geográfica foram cedendo gradualmente perante as condições de vida que o homem criou e, ainda, se uma ousada ecologia humana alarga o espaço ecuménico e põe ao nosso alcance territórios totalmente transformados – o desafio do nosso tempo consiste em compatibilizar todas estas conquistas com uma natureza cuja perenidade temos de salvaguardar.

Temos de defendê-la no plano científico e técnico. Para boa utilização dos recursos, temos de saber preservar o potencial produtivo da terra, dos animais e das plantas, das águas e da atmosfera. As forças de destruição que durante séculos criaram desertos em diferentes regiões, pela exploração imoderada e desordenada das riquezas, constituem uma ameaça que se multiplica assustadoramente quando uma poderosa tecnologia pode ser utilizada sem discernimento.

Temos finalmente que situar a protecção da Natureza no seu profundo contexto sociológico. A expansão do homem contemporâneo, na plenitude das suas capacidades e realizações, depende da sua perfeita integração na natureza, eliminando todas as causas de desajustamento e mal-estar.. Na era da industrialização encontramo-nos, quase sem dar por isso, a construir uma nova civilização urbana extremamente poderosa na forma como difunde os seus efeitos ao longo dos territórios. As barreiras de distância que tradicionalmente separavam o campo da cidade foram-se gradualmente abatendo frente à expansão de todos os meios de comunicação e transporte. Tem-se proporcionado muitas situações de isolamento rural, e com ela, extraordinárias possibilidades de abertura.

O espaço urbano, que alastra constantemente, necessita de ser ordenado; as fontes de vida têm que ser mantidas; é necessária uma técnica para dominar a poluição provocada pelas técnicas.

O problema do momento será o de mobilizar uma base cultural mais profunda, de conhecimentos mais vastos, de intensa divulgação de objectivos a atingir, tendo como pressupostos a educação de todos os membros de uma comunidade e a consequente elevação do espírito cívico, em prol de uma sociedade humana e da natureza.

É preciso agora enfrentar o problema da conservação da natureza em termos de maior objectividade. Para que o potencial dos solos possa ser mantido e aproveitado, para que a população activa possa desfrutar das melhores condições de trabalho, a moderna agricultura industrializada tem que enfrentar os problemas da localização. As grandes cidades, alargando a sua esfera de influências ao espaço circundante e dinamizando a rede de satélites urbanos de diferentes dimensões, acabam por definir regiões. Haverá que orientar devidamente o fenómeno procurando encontrar o ordenamento de território mais conveniente.

Todo o espaço humanizado tem de ser simultaneamente um espaço protegido

A civilização industrial, a sociedade do consumo, a cultura do lazer, exigem que sejam profundamente revistas as estruturas sobre as quais incidem as motivações do consumidor. Este consome bens, serviços, cultura, distracção e repouso.

O crescimento constante da população e o aumento das suas exigências em matéria de habitação, de higiene, de educação e de cultura, de distracções e de actividades cívicas, obriga a um permanente trabalho de adaptação do “habitat” às condições naturais. Problemas de abastecimento de água, de energia, de abertura de meios de comunicação, tendem a avolumar-se; a aldeia tradicional, isolada e pobre, vai desaparecendo, transformando-se em centros de atracção para as populações sedentas dos contrastes que se opõem aos símbolos da vida urbana. Para que tudo possa decorrer em termos de conservação de recursos naturais, torna-se essencial que se mobilizem poderosos meios que constituam a base de tarefas compexas e permanentes da administração e da técnica. O que está em causa no bom ordenamento de um território não é somente o arranjo de coisas materiais, mas o destino das comunidades, nos múltiplos aspectos do bem-estar, do progresso tecnológico, social e humano. A natureza, presente nas montanhas, nas colinas, nas planícies, nos rios e nos mares, que foi o suporte de civilizações passadas, tem que ser salvaguardada quando no Mundo se expande e instala a civilização industrial, de todas a mais poderosa.

Seria pura fantasia pensar-se que todas as tarefas a levar a efeito possam decorrer sob o signo da facilidade. Pelo contrário. Mas isso não quer dizer que devamos deixar-nos assaltar por temores e preconceitos em relação ao progresso em que estamos empenhados. Os extraordinários esforços de educação e de realização encontram-se na base desse progresso que, dia a dis, pretende alcançar novos equilíbrios para benefício e bem-estar de toda a humanidade. E é, de facto, uma enorme e imprescindível tarefa em proveito de toda a humanidade aquela que nos leva a conservarmos e preservarmos os seus recursos naturais.

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