Agricultura Industrializada

O que é?
A agricultura industrializada é caracterizada pela mecanização do trabalho agrícola e a dependência de factores de produção externos, alheios à exploração agrícola, tal como combustíveis fósseis, fertilizantes e pesticidas. A modernização da agricultura, que corresponde à industrialização da agricultura, baseia-se na perspectiva de que o sector agrícola não difere significativamente de outras indústrias, sendo necessário racionalizar o uso de recursos com vista a alcançar uma maior eficiência nos processos de produção.

O uso crescente de combustíveis fósseis na produção agrícola, reduziu imenso a eficácia energética das mesmas. Isto é, os gastos energéticos na produção de alimentos estão cada vez mais próximos de ultrapassarem o conteúdo energético contido nos próprios alimentos produzidos. Pretty (1995) calculou que cada Kg de cereais produzidos convencionalmente consome 3-10 MJ de energia, enquanto que a mesma quantidade de cereais pode ser produzida usando entre 0.5-1 MJ usando práticas agrícolas menos exigentes em termos de energia.

História da industrialização agrícola
Esta racionalização foi envisionada e justificada com base numa ciência reduccionista, que procurou encontrar soluções universalmente aplicáveis, ignorando a complexidade das condições locais e a necessidade de adaptar os novos conhecimentos e tecnologias às condições do local onde haviam de ser implementados, para que o desenvolvimento fosse harmonioso.

Durante o processo de modernização agrícola, as tecnologias tradicionais são substituidas por tecnologias industriais, produzidas fora da comunidade rural. Simultâneamente o conhecimento local é subsituido pelo conhecimento científico, também este proveniente sobretudo do exterior da comunidade rural. Cria-se assim uma situação de dependência crescente da comunidade rural do exterior, de factores sobre os quais a comunidade rural não tem controlo. A introdução de tecnologias e conhecimentos externos, não adaptados às condições ecológicas e sociais locais, desencadeou a erosão da cultura camponesa, com consequente homogenização sociocultural, provocando degradação ambiental ao nível das explorações agrícolas.

A industrialização da agricultura foi fortemente impulsionada após a Segunda Guerra Mundial, no que veio a ser conhecido como “Revolução Verde”, através da introdução de políticas que visionavam o aumento da produção agrícola, com o objectivo de alcançar a segurança alimentar, em regiões onde persistia o racionamento de alimentos e a fome. Na altura da Guerra-Fria a auto-suficiência agro-alimentar era considerada fundamental na Europa, para garantir a estabilidade e indepedência de cada país.

A industrialização da agricultura aumentou a produtividade agrícola significativamente, levando à produção de excedentes, apesar do crescimento populacional verificado. No entanto, este sucesso trouxe consigo consequências sociais e ambientais nefastas.

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