Organismos Geneticamente Modificados

O que são?
Entende-se por organismo geneticamente modificado (OGM) todo o organismo cujo seu material genético foi manipulado de modo a favorecer alguma característica desejada. Normalmente quando se fala em Organismos geneticamente modificados refere-se aos organismos transgénicos, mas estes não são exactamente a mesma coisa. Um transgénico é um organismo geneticamente modificado, mas um organismo geneticamente modificado não é obrigatoriamente um transgénico.

Um OGM é um organismos cujo material genético foi manipulado e um transgénico é um organismo que possui um ou mais genes (uma porção de DNA que codifica uma ou mais proteínas) de outro organismo no seu material genético, ou seja, uma bactéria, por exemplo, pode ser modificada geneticamente para expressar mais vezes uma proteína, mas não é um transgénico, já que não recebeu nenhum gene de outro ser vivo.

Em síntese, um organismo geneticamente modificado só é considerado um transgénico se for introduzido no seu material genético parte de um material genético de outro ser.

Libertação de OMG’s no ambiente
A libertação de OGM no ambiente, face aos riscos potenciais que apresenta para os ecossistemas, a agricultura e a saúde humana, encontra-se sujeita a normas nacionais e comunitárias restritas. A produção, utilização e eliminação de produtos químicos constituem um importantíssimo sector da economia europeia.

A maioria dos químicos de uso corrente têm impactos quer ao nível ambiental, quer ao nível da saúde humana, em todas as fases do seu ciclo de vida, desde a produção, armazenamento e utilização até ao seu destino final. Estes impactos podem atingir níveis preocupantes quando os produtos não são adequadamente manuseados, por negligência ou por desconhecimento das suas propriedades e efeitos.

A utilização crescente destes produtos conduziu à necessidade de regulamentar o seu fabrico, colocação no mercado e utilização, através da publicação de um conjunto de instrumentos normativos. Em Portugal, a legislação neste domínio encontra-se distribuída por vários organismos, sendo a Agência Portuguesa do Ambiente, a Autoridade Nacional Competente para:

- Regulamento relativo ao Registo, Avaliação, Autorização e Restrição de Substâncias Químicas (REACH), sendo neste caso a competência partilhada com a Direcção Geral das Actividades Económicas e com a Direcção Geral de Saúde.
– Regulamento relativo à classificação, rotulagem e embalagem de substâncias e misturas (CLP).

A União Europeia seguiu desde 1998 até 2004 uma política extremamente prudente relativamente aos alimentos transgénicos a que algumas pessoas chamam de “comida Frankenstein”. Efectivamente os Estados Membros acordaram uma moratória na autorização de produtos geneticamente modificados, mesmo que existisse uma opinião científica favorável garantindo a inocuidade de tais produtos.
Foram assim sensíveis à desconfiança de muitas organizações que acreditaram que esta tecnologia é perigosa para a saúde humana ou para o ambiente. Os decisores políticos europeus alinharam-se pela opinião dos consumidores que afinal perguntavam “qual o benefício que vamos retirar dos alimentos geneticamente modificados?”.

VANTAGENS DOS OGM

Tolerância a Herbicidas – Aumento da Produtividade
As plantas podem ser modificadas de modo a terem no seu DNA um gene que lhe confira resistência a produtos químicos como os pesticidas e os insecticidas. Com isto o agricultor vai puder usar as quantidades de químicos desejadas para acabar com as pragas e assim obter um maior aumento de produto no final de cada época.

Tolerância a Insectos – Redução dos Químicos Usados
As culturas transgénicas podem ser munidas de genes que lhes confiram resistência ás suas pragas naturais, produzindo toxinas que matam essas pragas. Com isto, é desnecessário o uso de químicos como os pesticidas na agricultura, uma vez que a própria planta se “protege sozinha”, contribuindo assim para reduzir a poluição ambiental.

Redução do Uso de Fertilizantes
Alguns frutos e nozes são munidos de genes capazes de os fazer aumentar o seu tamanho naturalmente sem precisarem de ser utilizados fertilizantes e outros químicos nas culturas para os tornarem maiores e mais apetecíveis.

Melhoria da Qualidade dos Alimentos
A tecnologia usada nos transgénicos permitem-nos melhorar e corrigir os mais variados alimentos de modo a produzirmos novos alimentos com as características desejadas. Podem ser obtidos alimentos com maior teor em certos nutrientes, alimentos com vitaminas que não conseguem produzir naturalmente, reduzir a síntese de algumas proteínas para que os alimentos durem mais tempo, entre outros.

Produção de Compostos com Interesse Económico
A inovação da biotecnologia a este nível é de tal forma grandiosa, que é possível produzir variadíssimos tipos organismos que nos possibilitem uma vida mais fácil. É possível criar vacinas comestíveis, modificar o material genético das vacas para produzirem mais leite, criar peixes coloridos para comercializar como peças de decoração, assim como muitas outras coisas que falamos mais à frente. Tudo isto contribui para um largo interesse económico à escala mundial, e quem tiver mais “imaginação” sai a ganhar.

Clonagem
Através da técnica de DNA recombinante é possível introduzir nas bactérias genes com determinadas funções (genes de interesse). As bactérias ao reproduzirem-se formam descendentes exactamente iguais entre si, como se fosse um clone, e assim, fazem copias desse gene, sendo este processo chamado de clonagem.

Produção de Medicamentos
Tal como na clonagem, através de técnicas de DNA recombinante é possível fazer com que as bactérias passem a produzir determinadas substâncias através do uso de genes de interesse benéficas para a saúde, e assim produzir medicamentos com base nessas substâncias produzidas.

Acabar com a Fome Mundial
Os transgénicos ao permitirem um maior aproveitamento de culturas e principalmente a concepção de alimentos mais ricos em nutrientes e vitaminas, são vistos como uma esperança para os países de terceiro mundo.

ASPECTOS NEGATIVOS DOS OGM

Poluição do Ambiente
Os transgénicos mais comuns são as plantas, nomeadamente o milho e a soja. Ora, uma vez que estas são modificadas de modo a adquirirem uma resistência a um pesticida ou herbicida, com o objectivo de obter um maior rendimento da colheita, por exemplo, os indivíduos responsáveis por esses campos de plantas transgénicas vão adquirir um maior “á vontade” na aplicação desses herbicidas e pesticidas. Com isto, a quantidade aplicada destes produtos sobre os campos não vai causas preocupações relativamente ao contágio da plantação. Assim, as quantidades despejadas sobre estas vão ser descomunais, tendo um impacto altamente nocivo sobre o ambiente, um impacto directo sobre os solos (uma vez que os químicos utilizados se infiltram na terra, contaminando-a) e um impacto indirecto sobre as águas subterrâneas, os rios e mesmo sobre a atmosfera.

Redução da Biodiversidade
A existência de plantas resistentes a produtos químicos provoca uma redução dos predadores naturais dessa planta, afectando assim os níveis seguintes da cadeia alimentar, como, por exemplo, os pássaros que precisam dos insectos para se alimentarem. Ainda pode provocar uma dificuldade em existir predadores naturais para essa mesma planta. Em consequência destes acontecimentos vai haver efeitos nocivos nos insectos que não são pragas importantes na agricultura, e induzir a um rápido crescimento de insectos resistentes (selecção natural).

Poluição Genética
Não é possível separar culturas convencionais das transgénicas, pois os grãos de pólen percorrem distâncias na ordem dos 180 Km por dia, sendo possível haver uma disseminação dos grãos de pólen das plantas transgénicas para as plantas naturais, ou seja, vai haver uma “contaminação” pelo ar das plantas naturais pelas plantas modificadas, convertendo assim estas plantas em “cópias” daquelas que haviam sido geneticamente modificadas, convertendo todas as plantas atingidas em plantas com as mesmas características das transgénicas, alterando assim também a biodiversidade.

Aumento das Alergias
Existe a possibilidade de desenvolvimento de alergias a produtos transgénicos. A criação de proteínas sintetizadas pelos novos genes nos transgénicos pode ter um potencial alérgico ao nosso organismo e são postos à venda nos supermercados muitos produtos com substâncias transgénicas cujo potencial alérgico ainda não foi testado.

Perigo para os agricultores
A existência de culturas transgénicas pode prejudicar aqueles agricultores que não as utilizam. Como? Simplesmente porque a lei defende sempre as grandes empresas multinacionais. O que acontece é que sempre que há contaminação genética de culturas convencionais por grãos de pólen transgénicos, essas culturas passam a ser transgénicas também, e as empresas responsáveis pelo fabrico das sementes transgénicas têm o “direito” de ficar com a posse dos terrenos agrícolas, porque agora passaram a ser as suas sementes que constituíam os campos agrícolas, e o proprietário para além de ficar sem as suas culturas ainda fica sujeito a pagar uma indemnização por ter “usado” sementes que não eram dele.

Aparecimento de novas doenças
Os transgénicos munidos de genes que lhe conferem resistência a algumas bactérias podem provocar um fortalecimento dessas bactérias contra as quais actuam. As bactérias que sobrevivem à resistência das plantas transgénicas, por um processo de selecção natural, vão-se reproduzindo, criando novas colónias de bactérias que não são afectadas por aquelas plantas transgénicas, desenvolvendo-se assim um novo tipo de bactérias e surgindo novas doenças nas plantas.

Perigo para a Saúde Pública
O excesso de produtos químicos que advêm da utilização de organismos geneticamente modificados na agricultura, não tem apenas um impacto negativo no ambiente, mas também constituem um risco para a saúde pública. Se considerarmos que os alimentos provenientes de campos transgénicos são excessivamente irrigados com pesticidas e herbicidas, esses mesmos produtos químicos vão chegar à nossa mesa, mesmo em ínfimas quantidades, nos alimentos. Os especialistas dizem que a quantidade de químicos que têm possibilidade de chegar às nossas casas é “banal”. Dizem isso para provocar algum tipo de impacto a nível da saúde, mas o certo que bem também não faz.

Resistência a Antibióticos
A transferência de genes dos organismos geneticamente modificados para as células do corpo humano causaria preocupação se o material genético transferido afectasse de forma directa a nossa saúde. Os críticos aos transgénicos defendem a teoria de que os OGM munidos de genes que lhes conferem resistências a certos antibióticos (característica que lhes permitem serem distinguidas dos não modificadas), passam a ter probabilidade de causar essa mesma resistência ao antibiótico no ser que o consumiu, ou seja, nos humanos. O resultado será então a ineficiência desse antibiótico numa possível infecção provocada por uma bactéria, ou seja, quando precisarmos desse antibiótico, seremos resistentes a este, e assim, não nos fará efeito, e com isso, podem multiplicar-se o número de problemas de saúde que envolvem bactérias imunes e dificultar-se o tratamento de doenças.

Insegurança na Utilização dos Transgénicos
Os estudos feitos aos organismos geneticamente modificados são de curta duração e superficiais, não sendo possível avaliar com segurança os danos provocados por a introdução de transgénicos no ambiente.

Falta de Informação
Existe uma falta de informação relativa aos organismos geneticamente modificados, sendo que grande parte da população não está informada acerca da sua concepção e, em geral, nem sequer sabem do que se trata um transgénico. Para além disto, mesmo a parte da população que tem conhecimento do assunto e dos possíveis impactos, não têm uma informação concreta de quando estão a ingerir produtos transgénicos.

Opinião pública sobre os OGM
A comissão europeia publicou em Março de 2003 o seu mais recente estudo de opinião.

Os dados revelaram que quase 90% dos portugueses não sabe o que é um transgénico. Só 11% dos portugueses sabem do que se trata um transgénico, sendo que dos que disseram que já ouviram falar, 54% já não se lembra o que é, e 18% dá uma resposta errada.

No Brasil, 71% dos que já ouviram falar em transgénicos preferem não os consumir e 92% pretendem que os rótulos indiquem a presença de qualquer ingrediente transgénico.

Na Austrália, 51% vêem a tendência para introduzir OGM como sendo negativa. No Japão, esse valor sobe para 82%.

Na Nova Zelândia, 60% estão preocupados com os alimentos transgénicos.

No Canadá, 62% estão preocupados com a segurança dos OGM e preferem não os consumir.

Nos EUA, 58% não querem comprar alimentos transgénicos e 82% pretendem que sejam rotulados. Além disso, 68% estão dispostos a pagar mais para que haja rotulagem. As mulheres americanas são substancialmente mais cépticas do que os seus pares masculinos: 59% dos homens daria OGM a comer aos filhos mas apenas 37% das mulheres o faria.

Áustria, França, Luxemburgo, Grécia e países da Escandinávia, são os que mais contestam esta aplicação, com uma percepção de risco maior, com uma opinião mais negativa e evidenciando, simultaneamente, mais conhecimento sobre a matéria. Em contrapartida, temos a Espanha (um dos países que revelou estar mais favorável a esta aplicação), Portugal (que evidenciou percentagens de não-respostas mais elevadas), o Reino Unido e a Irlanda. Nalguns casos verifica-se uma espécie de correlação entre o grau de desinformação e o grau de concordância (Itália, Portugal, Bélgica). Noutros casos, a desinformação estimula a rejeição (Grécia, Áustria, Luxemburgo). Noutros ainda o grau de informação gera mesmo mais concordância (Holanda).

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